7 lições sobre trabalho em equipa que aprendi com os meus filhos

boy doing the dishes

A família é um projeto desafiante

Provavelmente já se apercebeu de que a gestão de uma família tem algumas similitudes com a gestão de equipas de trabalho. Em particular quando se têm crianças, o trabalho em equipa, a organização e o envolvimento de todos os membros é crucial para o sucesso do “projeto família” — sobretudo no que diz respeito à educação de pessoas completas e felizes.

Os meus filhos, de 2 e 7 anos, diariamente desafiam-me a ser melhor mãe, e, em conjunto com o meu parceiro, a ser também melhor gestora deste emocionante caminho, que nem sempre é fácil, mas que sempre é gratificante.

Os reptos profissionais de cada um dos pais, a inevitabilidade das tarefas domésticas, o desejado acompanhamento emocional e escolar deles, e a necessidade de inserir isto tudo numa comunidade (com amigos, vida associativa, etc.), deixa pouco espaço, se não formos conscientes, para a preparação e manutenção dos sistemas que nos suportem a longo prazo e que assegurem a nossa saúde física e mental. Sem eles corremos o risco de perdermos o norte, ficarmos todos esgotados e no final… nada funcionar.

As lições que aprendi

Para isto não acontecer, é preciso a participação de todos os membros, incluídos os mais pequenos. E o quê é que sucede quando contamos com eles como membros ativos do nosso projeto?

As vivências dos meus últimos anos, enquanto mãe de dois e trabalhadora por conta própria, têm-me trazido algumas aprendizagens que julgo serem importantes quer para novos pais, profissionais no início de desenvolvimento de uma equipa, ou até empreendedores que estejam a considerar a externalização de algumas partes do seu negócio.

1. CLAREZA: Sem indicações claras sobre a missão conjunta e o trabalho esperado, não haverá bom desempenho.

Já lhe aconteceu ir comprovar o resultado de algo que estava em mãos de terceiros e verificar que foi totalmente mal-entendido? E ir fazer algo com a melhor das vontades e no final, ter feito tudo ao contrário? Acontece a toda gente, e com as crianças também. 

Se faltar o sentido de responsabilidade e de missão conjunta da equipa, resultará muito mais difícil executar as tarefas, especialmente aquelas que sejam entediantes e repetitivas.

Também o ruído na comunicação e a nossa inércia nos modos de operar por vezes impedem que a mensagem fique clara. No caso das crianças isto é especialmente verdade. Desde o meu ponto de vista, mais vale a pena sermos repetitivos (e momentaneamente detestados por isso) do que correr o risco de haver um mau entendimento da tarefa em causa e trabalho feito em vão, que só leva à frustração de ambas as partes.

2. TEMPO: Ensinar e aprender é demorado, mas compensa a longo prazo.

O ensinamento das tarefas e a sua delegação nos mais pequenos dá muito trabalho, mas a longo prazo a “estrutura” será produtiva e funcional, e a família/equipa terá resultados muito melhores. O peso será suportado por todos (e não apenas pelos pais/gestores de projeto) e os membros/crianças sentir-se-ão parte do sucesso.

Poderá parecer (e até ser) muito mais eficiente no momento sermos nós próprios a fazer as tarefas do que esperar que eles façam (e bem). Mas com paciência e sabendo delegar, eles acabarão por fazê-lo tão bem quanto nós (ou melhor). Como em tudo, a destreza só se atinge com a experiência.

3. EMPATIA: Cada pessoa é diferente e tem os seus dias.

Do mesmo modo que nós, adultos, nem sempre estamos condições para dar o nosso melhor, as crianças também têm noites mal passadas, sentem-se doentes o cansadas ou simplesmente passaram um mau dia na escola. Supondo que os nossos filhos são sempre sinceros connosco, devemos ter em conta as suas queixas e reclamações, e tentarmos respeitá-las. É claro que muitos dias haverá queixas porque simplesmente não lhes apetece fazer o que é suposto. Ai o desafio será tornar a tarefa divertida e estimulante, ou usar algum truque psicológico para conseguir envolvê-los e que esqueçam o tédio.

No caso de equipas de adultos, assume-se que a responsabilidade é levada a sério por todos… e que apenas em casos críticos a pessoa não poderá executar o trabalho. Estarei a assumir demais?

4. SISTEMAS: Se os sistemas falham, nada será feito.

As crianças confiam em nós para lhes fornecermos o necessário para a vida deles. Pedir-lhes para se vestirem sem lhes dar acesso à roupa, ou para lavarem os dentes sozinhos se não chegarem ao lavatório, ou até, exigir que façam os trabalhos de casa sem o nosso apoio quando estão esgotados, são exemplos de falhas no sistema que vão impedir que as tarefas sejam concluídas com sucesso.

No mundo dos adultos, esta verificação também é precisa. Já lhe aconteceu ir escrever um relatório e faltarem-lhe dados? Ou tentar marcar um evento mas não dispor de toda a informação? Ou usar ferramentas desatualizadas ou mal configuradas, que devolveram resultados aquém das expetativas?

Em todos os casos, antes de delegar, é importante rever que a pessoa dispõe de todas as ferramentas, acessos e informação necessários, que tudo funciona e está ao seu nível.

5. CONFIANÇA: A microgestão é inimiga do trabalho em equipa.

Uma vez que demos indicações claras sobre o resultado esperado e verificámos que todos os sistemas funcionam, o melhor é deixar fazer e não interferir no processo.

Confesso que eu encontro dificuldade em não fazer microgestão, é algo que tento treinar diariamente. O certo é que, com as indicações e os sistemas adequados, cada pessoa acaba por encontrar a sua maneira de devolver o resultado, e as crianças são muito originais a fazê-lo.

Confie e estará empoderando a pessoa a dar o seu melhor!

6. COMPLEXIDADE: Para manter a motivação é preciso ir aumentando gradualmente a dificuldade da tarefa.

Estejamos a delegar nos seus filhos, colaboradores da empresa, ou num Assistente Virtual, ir aumentando a complexidade das tarefas em vez de pôr tudo em cima da pessoa de uma só vez é outra das bases para o sucesso.

Em casa, por exemplo, não peço aos meus filhos que cozinhem, mas sim que levantem ou ponham a mesa: no início com loiça de plástico e só depois com loiça verdadeira. É imprescindível incrementar o nível de complexidade pouco a pouco para desafiar a sua perícia e evitar que caiam no tédio — e na resmunguice. Quando há um equilíbrio entre destreza e desafio, as pessoas entramos em estado de Flow, o estado mental óptimo para o desempenho.

O sentimento de sucesso e desafio faz com que a pessoa fique motivada e perca o medo às suas novas responsabilidades. Aproveitemos o facto de as crianças e muitos profissionais se desafiam a si próprios constantemente.

7. FEEDBACK: Comentários positivos e bidirecionais promovem o entendimento.

Por último, depois de verificar o resultado, convém dar uma opinião amável e honesta. Aqui é recomendável usar o “método sanduíche” em três partes:

  1. Aprecie o esforço e o resultado;
  2. Verbalize os pontos a melhorar;
  3. Reforce a opinião positiva e desafie a fazer ainda melhor.

De novo, as crianças adoram reptos e aprendem rápido, por isso, não se surpreenda com os próximos resultados!

Se a pessoa sentiu dificuldades, é hora de ouvir o que tem para dizer. Poderemos ter falhado nalgum dos passos anteriores (missão, tempo, empatia, sistemas, confiança e complexidade). É fundamental aprender com o erros e tentar resolver o que for preciso para que estas falhas não se repitam. O trabalho em equipa e a delegação estão sempre a progredir!

 

As lições que aprendo todos os dias

Há aprendizagens do mundo laboral que se podem aplicar no âmbito familiar, e o contrário também é verdade. E do mesmo modo que se aprende aos poucos a gerir um projeto e uma equipa dentro de uma empresa, liderar uma família é também uma autêntica universidade de logística, valores e emoções. 

As crianças são muito mais permeáveis do que os adultos quanto à informação, regras e aprendizagem. E nós, pais, temos a enorme responsabilidade de ajudá-los a crescer e evoluir para se tornarem seres realizados e felizes. Acredito que é importantíssimo transmitir o sentimento de equipa dentro da família para os ajudar no seu desenvolvimento.

Não esqueçamos, contudo, que eles têm também muito para ensinar aos adultos, e, sem sabê-lo, proporcionam-nos todos os dias grande lições para a vida familiar e profissional! 

Partilhe comigo, que lições aprende dos seus filhos?

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