A confiança: um ativo rentável!

Competência vs. Confiança

Sempre que conhecemos ou falamos com alguém pela primeira vez no âmbito profissional, intuitivamente observamos a pessoa e tentamos desvendar o que ela na verdade é. A simpatia e a educação abrem as portas para uma comunicação eficaz que, aos poucos, permite-nos avaliar dois traços fundamentais do nosso interlocutor:

  • A sua competência técnica: as suas habilitações, aptidões e experiência no âmbito profissional;
  • A confiança: se é alguém digno de manter uma relação bem sucedida a longo prazo.

Parece natural assumir que a competência é importantíssima, porque se o que desejamos desenvolver uma relação de negócios com alguém, precisamos de ter a certeza de que essa pessoa é um excelente profissional que possui todas as qualidades necessárias para fazer acontecer ou avançar o nosso projeto. 

A confiança, uma questão de sobrevivência

Contudo, segundo a investigação da psicóloga Amy Cuddy, autora do livro “Presence” (“O Poder da Presença” na sua tradução para Português do Brasil), a confiança é mais relevante do que a competência técnica quando conhecemos —e julgamos— alguém pela primeira vez. A autora explica que a realidade é essa porque evolutivamente nós, seres humanos, estamos extremadamente bem preparados para identificar em quem podemos confiar e com quem podemos estabelecer parcerias e relações dentro e fora da nossa tribo. 

O objetivo pré-histórico da confiança seria sobreviver na comunidade. Hoje, no mundo empresarial, o objetivo é criar relações que nos ajudem a impulsionar o nosso trabalho, para que este possa ser de valor à sociedade.

 

Também há decisões erradas

Já trabalhou seriamente nalgum projeto e nunca viu a recompensa do seu esforço porque uma pessoa ou grupo de pessoas não eram de confiança? Eu já. 

Por desgraça, os nossos instintos às vezes também falham, porque com frequência se misturam no nosso cérebro com outros sentimentos também perfeitamente humanos (a vergonha de dizer que não, o medo da rejeição, a ambição, o gosto pelo risco, a vontade de ajudar terceiros, etc.) que acabam por baralhar a nossa tomada de decisão.

Um valor que primeiro se transmite...

À partida todos queremos ser os profissionais com quem outros estejam desejosos de colaborar. A verdade é que, quando sentimos desafios laborais, procuramos quem nos ajude a ultrapassá-los, e fugimos de quem crie mais confusão à nossa volta. Por isso, no início de qualquer colaboração, é fundamental, numa comunicação direta, esclarecer as intenções e expectativas de ambas as partes, sem reservas e de coração aberto. Precisamos de comunicar que somos de confiança!

Recentemente experimentei numa primeira conversa online com uma potencial cliente, após as apresentações mais formais, deixar a pessoa completamente à vontade. Comuniquei com sinceridade que cada vez mais procuro novos clientes que sejam líderes por gosto mais do que por necessidade, que cada vez mais tento escolher pessoas com cuja missão me identifico, e que não tenho o mínimo interesse em enganar nem desapontar ninguém —até porque isso só me iria prejudicar. Aberto o jogo, discutimos as expectativas de ambos os lados, e a minha interlocutora agradeceu deveras o facto de eu ter sido tão direta e frontal, porque isso, a médio prazo, poupa tempo, desilusões e energia. Aceitámos ambas sermos parceiras e avançámos na nossa colaboração.

... E depois se mantém

Assumir uma relação profissional (assinar um contrato de trabalho, estabelecer uma parceria de negócios, etc.) envolve demasiadas variáveis para ser tomada ao de leve, mas o ritmo dos nossos dias impele-nos a agir com rapidez. 

No caso desta coach, a decisão foi de facto rápida. Eu poderia ter mentido na nossa conversa, mas 1) não ganhava nada com isso; 2) a minha comunicação não-verbal ter-me-ia delatado. Com ela — e com todos os parceiros do nosso dia-a-dia — cabe-nos, uma vez tomada a decisão de avançar, a difícil tarefa de estar à altura das expectativas que criámos. Teremos nas nossas mãos o bem mais precioso que se pode ter: a confiança, e o dever de cultivá-la e merecê-la com esforço, honestidade, dedicação e consistência no trabalho. Para mim, afinal,

 a confiança assenta num respeito enorme e constante pelas pessoas e suas circunstâncias.

O custo da desconfiança

Os nossos clientes, empregadores, empregados, parceiros, associados, etc., são pessoas que precisam de nós e de confiar em nós porque é o mais confortável e eficiente. Já pensou no custo da desconfiança? Alguns exemplos: 

  • Quanto tempo leva a necessidade contínua de validar trabalho? 
  • Qual é o preço a pagar pelo medo ao desrespeito pela privacidade? 
  • Quanto custa uma noite em branco sentindo o cheiro da traição? 
  • Se um projeto fica pendurado porque alguém não esteve à altura, quanto custa, financeiramente, voltar a pô-lo a andar?
  • Quando uma relação corre mal, quanto tempo precisamos até ganhar confiança de novo numa pessoa que substitua quem nos falhou?

A desconfiança é de facto um “luxo” que ninguém merece. Não fica rentável nem financeira nem emocionalmente.

Por isso, e por sorte, cada vez mais vemos profissionais sérios que procuram criar relações estáveis, que devolvem, a longo prazo, resultados incríveis em termos humanos e de valor criado.

Como cultivar esse ativo tão rentável?

Como poderemos, de uma maneira sucinta, alimentar diariamente a confiança no nosso trabalho?

  • Cumprindo objetivos e executando o trabalho com qualidade;
  • Sendo pontual, respeitando horários e datas de entrega;
  • Sendo humilde para reconhecer os erros, honesto em toda a comunicação e agradecido com todos os gestos;
  • Respeitando a privacidade do outro (a sua vida pessoal, os seus horários e os seus gostos);
  • Dando mais do esperado: surpreendendo pela positiva!

Só quando trabalhamos numa base de confiança mútua e plena é que os projetos chegam longe, as pessoas ficam realizadas, os negócios viram rentáveis e o resultado final oferecido vale verdadeiramente a pena!

 

E você, dorme descansado em relação aos seus parceiros de negócio e à confiança que eles depositam em si e no seu trabalho?

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