O que acontecerá às empresas que perderem o comboio do Marketing Digital?

mulher a fazer pergunta

O estado do Marketing Digital em Portugal

Dias atrás, na apresentação do novo livro do Vasco Marques, Marketing Digital de A a Z, falou-se do evolução do setor nos últimos anos, e da iliteracia digital que paira pelo tecido empresarial do país. Fiquei entusiasmada com este debate, porque é algo que já me tenho questionado sucessivas vezes, mas não tinha bem com quem discutir esta ideia.

Segundo a Associação da Economia Digital, que refere este artigo d’O Observador, 60% das empresas portuguesas não têm presença digital

Marketing... quê? Ah, isso. Isso não é para mim!

Quando falo sobre este tema com amigos e conhecidos que vivem esta realidade por dentro, deparo-me com que essa aversão digital dos pequenos e médios empresários tem por causas um desconhecimento quase total da realidade e alguns preconceitos ao respeito:

  • Ignoram os benefícios da presença digital,
  • Pensam que é uma ferramenta útil apenas para certos setores — que não o deles,
  • Consideram que as estratégias digitais se destinam a grandes grupos, e não a pequenas ou médias empresas,
  • Não conseguem entender o Marketing como um investimento em vez de como um custo.

A pergunta do milhão!

Decidi aproveitar a ocasião para colocar a questão aos três grandes profissionais do setor que estavam na mesa: o Vasco Marques (anfitrião do evento, autor e formador), o Frederico Carvalho (formador e organizador do Clicksumit) e o Marco Gouveia (formador oficial da Google e digital marketing manager do grupo Pestana), e fiz mais ou menos, as seguintes perguntas (por favor, adicionem o sotaque espanholado para maior veracidade):

Qual é, na vossa perspectiva, o futuro das empresas que não apostam no digital? 

Irão morrer, ferozmente engolidas pela concorrência? 


Fará sentido haver políticas que promovam essa literacia digital — ou será mais saudável assistirmos à “evolução natural” do mercado, em que apenas sobrevivam os mais adaptados ao meio? 

Um apanhado das respostas!

  • A pergunta não era fácil e eu era consciente disso. Contudo, e como era de esperar, os eruditos na matéria estiveram à altura. Deixo aqui um apanhado das respostas deles (espero estar a ser fidedigna):
  • É realmente incrível e assustador como algunas empresas, claramente com vocação digital (como o caso de uma agência de viagens), ainda não tenha uma estratégia digital definida, nem tão pouco uma simples página web.
  • Este problema já está há anos a ser abordado a través de várias iniciativas, públicas e privadas, pelo que estamos no bom caminho:

   > Existem políticas de âmbito público que promovem formação em temas digitais a baixo custo (como por exemplo, as inseridas em programas como o PT2020). 

   > Também deve ter-se em conta o trabalho das Associações de Marketing (entre outras, a Associação Portuguesa de Profissionais de Marketing) que tentam oferecer apoio e formação para aumentar a consciência e literacia de Marketing no geral, e de Marketing Digital em específico.

   > Empresas de capital privado tal como a Google oferecem formações de alta qualidade gratuitamente. É o caso do Atelier Digital da Google.

  • Apesar de todas estas formações e apoios existirem e estarem disponíveis a baixo custo, os dados mostram que mais de metade dos empresários das PME não estão a aproveitar as oportunidades para melhorarem as suas competências, para chegar mais facilmente aos seus clientes e lhes oferecer cada vez melhores produtos ou serviços. 

A tendência será de melhora, mas sem dúvida que haverá negócios a ficar para trás. Exceptuando alguns setores muito específicos, quem não se renovar nos próximos tempos (é uma questão de poucos anos), corre o risco de ser comido e morto para sempre pela concorrência mais dinámica.

A minha reflexão

Pelos vistos — e isto já são palavras minhas —, há muita empresa pequena que continua a trabalhar em circuito fechado, com os mesmos processos, parceiros, recursos e estratégias de há anos, e que prefere continuar na sua vida laboral sossegada (ou não) — e eu imagino que cinzenta e terrivelmente entediante! — da era industrial pré-digital. 

Mas reconheço também que devem existir muitos milhares de pequenos negócios em Portugal, como cafés, pequenos comércios de rua, negócios de bairro, etc., que não sintam qualquer necessidade de se tornarem digitais. Para quê, se o negócio que têm chega e sobra? Ao meu ver, isso também é legítimo! 

Nem todo o empreendedor tem vontade, nem deve ter, de crescer indefinidamente!

Refletindo mais um bocado sobre o assunto, parece-me chegar a algumas conclusões:

  1. Seriam necessários mais estudos para entender que tipo de negócios podem beneficiar de presença e marketing digital e não estão a fazer. E talvez aceitarmos o facto de que alguns negócios (como o do senhor barbeiro de 3ª geração, o sapateiro da esquina, ou a dona da retrosaria) em quase nada iriam beneficiar de uma presença online. E está tudo bem.
  2. A falta de informação claramente não é o problema. Os maiores obstáculos serão provavelmente algumas mentalidades, que não mudam de um dia para outro, nem, pelos vistos, de uma década para outra.
  3. O mercado evolui com o simples passar do tempo. Quando esses pequenos negócios locais ficarem sem os clientes mais séniors de hoje, talvez os seus donos sintam a pressão de apelar a públicos mais novos… se eles próprios estiverem no activo. Ai sim, chegará o ponto de inflexão: renovar-se ou morrer!
  4. Todos nós (o mercado) hoje escolhemos aquilo que, acrescentando valor para a nossa vida, nos aparece à frente com maior frequência. Por isso, com o aumento de poder de compra dos nativos digitais (Millenials, Xennials e gerações mais novas), os negócios “do jurássico” irão, lenta mas irremediavelmente, desaparecer, sufocados por um meteorito de nome Internet.

O que opina sobre isto? 

Conhece mais estudos sobre este assunto que me possa recomendar? 

Qual é, na sua opinião ou experiência, a maior barreira para a literacia digital em Portugal?

Que evolução estão a ter outros países que já passaram por esta situação? 

O que lhe parece que vai acontecer? 

Partilhe comigo as suas ideias!

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