Vive na vanguarda ou na retaguarda?

fila de elefantes

Aposto que com este título já criou uma expectativa do que vai ler. “Vanguarda é estar à frente e retaguarda é ir atrás, não é? A Marta vai explicar porque devemos ser vanguardistas e liderar a nossa vida e tal e tal”.

Será melhor estar à frente?

Sim e não. Como tudo na vida: depende. Sem dúvida, sermos donos do nosso destino é o objetivo último de muitos de nós. Poder não trabalhar (ou trabalhar menos), levar avante uma ideia, ou poder dedicar-nos a uma arte, são alguns exemplos de sonhos comuns. 

Como bem saberá, a “vanguarda” e a “retaguarda” são conceitos militares, que designam respetivamente as unidades que vão à frente combater o inimigo, ou as que ficam no fundo para evitar contra-ataques pela traseira. E eu tenho andado a pensar nos últimos tempos como estes conceitos se aplicam à vida e ao trabalho.

O valor do empreendedor

Tomemos o exemplo de um empreendedor que tenha uma ideia de negócio inovadora. Será sem dúvida um “vanguardista” que irá à frente do mercado; mas mais cedo o mais tarde, quando a ideia ganhar forma, vai precisar de uma equipa que lhe dê suporte e que sustente os sistemas para viabilizar o seu projeto. Na retaguarda, essa equipa irá apoiá-lo —seguindo o símil militar— perante possíveis inimigos (de cariz legal, comercial, logístico, etc.). 

Ora… o que será um vanguardista sem efetivos nem retaguarda? Será apenas uma pessoa com ideias lutando sozinho, o qual é perfeitamente válido se esse for sonho do empreendedor! Não faltam autênticos homens e mulheres-orquestra a fazer tudo por eles próprios. No entanto, para fazer crescer os projetos, eles aperceber-se-ão cedo da necessidade de delegar e focar-se no essencial, e é isso claramente o que os faz avançar.

A necessidade da existência de uma equipa

Por outro lado, o que faz um engenheiro, um especialista em Marketing, um tradutor ou um assistente virtual (entre mil e uma outras profissões) se não tiver onde aplicar os seus conhecimentos e aptidões? Sem um projeto ou um serviço ao qual dedicar-se? Será apenas mais um número no desemprego?

Visto assim, é claro que ambas as posições, a vanguarda e a retaguarda, são necessárias e ambas dão luta. E desengane-se quem pensar o contrário: a pessoa que trabalha “por trás” das ideias também requer uma grande dose de criatividade, esforço e disciplina. 

Na minha opinião, o culto ao empreendedor é uma moda totalmente aceitável, sempre que não esqueçamos que os grandes líderes contam com grandes equipas que os apoiam. Tão importante quanto o CEO (Chief Executive Officer) de uma empresa é o COO (Chief Operations Officer), que trabalha tanto ou mais do que o primeiro, e que raramente dá a cara ou leva os louros publicamente.

Um AV, na retaguarda de dos empreendedores e start-ups

No caso da profissão que exerço, acredito fortemente na sua missão e diariamente sou testemunho da sua utilidade. Os serviços de apoio que um Assistente Virtual oferece, na retaguarda dos empreendedores e start-ups, são cada vez mais especializados e necessários. 

O mercado tem, a cada dia que passa, mais profissionais que se lançam por livre com projetos próprios, amplamente diversificados e que sentem variadíssimas necessidades de suporte.

O desafio de mudar de posição

Reconheçamos que, embora conscientes do valor do nosso trabalho, os retaguardistas também ficamos cansados, quase a nível espiritual, de estarmos na cauda (tal como a do último elefante da foto). Também já ouvi da boca de vanguardistas o facto de, por vezes, ficarem esgotados de estarem sempre a desbravar caminho.

Por isso, caro leitor, caso se identifique claramente com algumas destas duas posições, deixo-lhe um desafio: saia da zona de conforto e mude de posição.

Se está habituado a liderar, passe de vez em quando a ser mais um elo numa cadeia à sua escolha ou a ficar na retaguarda de algum projeto. Se, pelo contrário, costuma estar nessa posição, ganhe coragem e assuma uma posição de liderança —nem que seja pequenina para já.

Acredito ser uma mudança positiva que nos proporciona outra visão da realidade. Eu fi-lo recentemente (assumi dois pequenos cargos de liderança), e posso afirmar: 

A vida e o trabalho têm muito mais sentido e mais cor quando vemos o mundo desde diferentes perspectivas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *